Categoria: MúsicaJuly 6, 2008 7:02 pm


You wanna know
why you feel so hollow?
Because you are.
You’re missing out?
Well if you say so
Then you’re missing out

Everybody knows that you’re insane

You wanna know
just how long you can hide from
what you are?
Not very long
I have been lost.
Down every road i follow
out in the dark
On my way home

But i feel nothing. Am i better yet?

Categoria: CotidianoJune 26, 2008 4:17 pm

“Pouco importa seu sucesso profissional: é a habilidade com uma FURADEIRA que separa os meninos dos homens”.
Luli Radfahrer

E é tentando instalar esse tipo satânico de varal de teto que você percebe que não é homem… Ainda!

Categoria: BudismoJune 21, 2008 1:51 pm

- disse certa vez um mestre a um monge que lhe pediu que ensinasse como limpar a mente. Dias depois, o monge voltou, confuso, implorando:

- Mestre, não quero mais limpar a mente, mas, por favor, me ajude a me livrar dos macacos.

Categoria: CotidianoJune 14, 2008 11:44 am

Ontem pensei – mas nem comecei – a escrever sobre utopias, sobre a necessidade de possuir uma ou milhares, sobre o que pode ou o que não pode ser utópico… Desisti até da tentativa ao ver que o Konder sintetiza tudo em um trecho só: “Mais do que nunca, precisamos da utopia, para realizar o que está por vir”.

Antes, porém, na quinta-feira, havia construído uma pequena história análoga sobre o dia (o dia de quinta-feira, 12). Ela, entretanto, evaporou da mesma forma que surgiu: instantaneamente. E mesmo sem o pretenso texto – que era bonitinho – fui taxado de fofo.

Na cronologia decrescente, perdi, no sábado, o “Clarissa”, conto fictício-real, ode à baixinha sem salto de bochechas rosadas que pretendia enviar a um desses concursos periféricos onde o Victor jamais concorreria com seus textos “gogolianos”. Perder o conto foi mais dolorido do que perder minha monografia formatada até o capítulo 3, como ocorreu certa vez. “Clarissa” não tinha mais que sete parágrafos e seria, de certa forma, fácil lembrar alguns. Todavia, a emoção seria diferente. Culpa da minha relação de preguiça com as cópias de segurança e da confiança nesse troço denominado computador.

Foram estas as tentativas de preencher o espaço com alguma coisa inútil.

Categoria: MúsicaJune 1, 2008 3:11 pm

Forcei um retorno à infância colocando na prateleira o “With the ligths out”. 81 vezes Nirvana, sendo 68 versões inéditas.

With the lights out

nirvanabox.com/

Categoria: LiteraturaMay 27, 2008 10:36 am

“Sem compromissos firmes e sem sacrifício pessoal, o amor verdadeiro é inimaginável.”

“Mas os sentimentos são teimosos, eles não são fáceis de apagar…”.

“Quando duas pessoas se encontram, cada uma delas traz consigo uma diferente biografia, um passado diferente, que precisam ser conciliados. E a conciliação é impensável sem o compromisso e sem o auto-sacrifício”.

“Mas, para se tornar uma experiência doce, o auto-sacrifício deve estar temperado por um amor profundo.”

Z.B. Saber amar.

Categoria: MúsicaMay 25, 2008 4:35 pm

Lichtjahre - Lacrimosa.ch

Lichtjahre (Anos de Luz) é o DVD do Lacrimosa que concentra as apresentações da banda durante as turnês dos anos de 2005 e 2006. Fora as magistrais apresentações ao vivo, acharam por bem inserir algumas cenas de bastidores, o que é sempre interessante.

Graças ao You Tube, a um bondoso pirata argentino e outros usuários, temos (quem gosta) com assistir todo o DVD.

Eis a playlist

Kelch der Liebe (não achei)
Alles Lüge
Der Morgen danach
Not Every Pain Hurts
Letzte Ausfahrt: Leben
The Turning Point
Schakal
Malina
Ich verlasse heut’ Dein Herz The Party Is Over
Stolzes Herz
Road To Pain
Ich Bin der Brennende Komet


Copycat


Durch Nacht und Flut
Lichtgestalt


Categoria: LiteraturaMay 21, 2008 1:37 pm

“Toda boa literatura é um questionamento radical do mundo em que vivemos. Qualquer texto literário de valor transpira uma atitude rebelde, insubmissa, provocadora e inconformista. A literatura apazigua essa insatisfação existencial apenas por um momento, mas nesse instante milagroso, nessa suspensão temporária da vida, somos diferentes: mais ricos, mais felizes, mais intensos, mais complexos e mais lúcidos. A literatura nos permite viver num mundo onde as regras inflexíveis da vida real podem ser quebradas, onde nos libertamos do cárcere do tempo e do espaço, onde podemos cometer excessos sem castigo e desfrutar de uma soberania sem limites.”
LLOSA, Mario Vargas.

O trecho acima é o responsável pela brusca, eu diria, ruptura com o silêncio. Essa ruptura é, ante qualquer circunstância, necessária a mim, uma vez que me pego num ritual de flagelo, por vezes, por não ter idéias de como quebrar as regras do real mundo ou, ainda, sair do cárcere do tempo e espaço, como Llosa nos mostra e afirma ser possível através da literatura.

Mesmo liberto de uma ética ocidental cristã que prega uma humildade desacertada, sem característica e mistificada na reclusão e na negação das qualidades humanas, não me atrevo – nunca me atrevi e, de certo, não me atreverei – a classificar como literatura um escrito parido aos quatro cantos carente de métrica, coesão e com falta de contextualização. Para histórias, ficções, contos, talvez eu não tenha nascido, e é bom, além de ser para o bem de todos, que eu reconheça isso desde muito. Sobra um brecha para os textos acadêmicos, esses sem invenções ou peripécias literárias; não pode haver um jogo bom de palavras tentando esconder o óbvio no início para surpreender o leitor durante o desenvolvimento acertando-lhe uma facada no peito (ou nas costas) durante os últimos trechos ou, melhor ainda, nas últimas linhas.

Fato é que existem muitas coisas ruins nos ciclos literários. O que eu antes achava razoável acho ruim agora. Pode ser que meu senso crítico tenha ficado demasiadamente crítico, ou que minha capacidade de interpretação tenha ganhado algum dom especial no quesito racionalidade, privilegiando, por exemplo, simplicidade. Prefiro acreditar nessa última hipótese.

Parir um livro, um artigo, um conto ou outro qualquer escrito de forma pública exige racionalidade. E é justamente essa racionalidade que eu me pergunto se existe na cabeça dos novos autores. Eu ainda não tenho coragem em me aventurar pelo mundo das páginas impressas sem que antes receba uma centena de elogios. Pura falta de segurança, é verdade, mas também é também um poderoso filtro de besteiras que vomito vez ou outra.

Pela minha pouca experiência (apesar dos cabelos brancos já existentes em idade pouco avançada) consigo ver desespero na produção de um texto qualquer; talvez seja o desespero que sinto agora. O começo - a introdução - quase sempre é penosa; o desenvolvimento precisa atender às idéias que já não foram expressas voluntariamente e, sobretudo, agradar. A conclusão nunca conclui porque, convenhamos, é impossível concluir algo efetivamente. Dessa forma, para mim, é a construção textual, e por ser para mim que não me arrependo de estar inteiramente errado nessa concepção.

Apesar de tudo, não se trata aqui de uma crítica, mas se assim for compreendida, que seja como uma auto-crítica. Que seja uma crítica a mim mesmo por todos as “coisas” que já soltei por aqui. Que seja, mais que tudo, um pedido de desculpas envergonhado. Prometo mais racionalidade e uma prisão de emoções nas próximas oportunidades para tentar evitar que mentes se percam.

Categoria: CotidianoMay 8, 2008 2:47 pm

Data: Wed, 7 May 2008 11:54:46 -0300 (GMT-03:00)
De: “Banco Real - Cartões”
Para: XXXX@XXXXX.xom.br
Assunto: Sua fatura do Cartão Real Visa chegou!

Prezado(a) Cliente:

Verifique no(s) arquivo(s) anexo(s) o demonstrativo de despesas do seu cartão de crédito e o informativo sobre as ofertas e promoções para este mês! =)

Cartões Banco Real

E eu replico:

Data: Wed, 7 May 2008 12:37:06 -0300 (GMT-03:00)
De: XXXX@XXXXX.xom.br
Para: “Banco Real - Cartões”
Assunto: Re: Sua fatura do Cartão Real Visa chegou!

Não tô entendendo o motivo de tanta empolgação!

Muitas exclamações e um smile. Pô, estão passando dos limites.

Categoria: FutebolMay 4, 2008 7:41 pm

Trinta vezes mengão. Foto: Lance! Net
TRINTA VEZES MENGÃO!

E agora o vice foi outro! Será o início de uma saga?

Up.:08/05/2008
Esqueçam!

Categoria: GeralApril 27, 2008 8:05 pm

… que já é passado, mas comento agora.

O pessoal ficou boladão quando no 1º de abril o famigerado Orkut trocou o logotipo da página inicial dos membros por “Yorkut”. Até hoje remexo blogs que têm posts sobre o assunto.

Bolado fiquei eu quando vi uma bandeira da Coréia do Sul no rodapé. Isso ninguém comenta!

O_o

Categoria: FilosofiaApril 25, 2008 3:57 pm

Continuando a heresia filosófica, ainda me apoiando exclusivamente no bigode (tudo questão de conforto), digo a todos vocês, nessa oportunidade, que – aprendam de uma vez – a mentira existe, faz parte do jogo, mas…

54.

A mentira. – Por que na maior parte das vezes, na vida cotidiana, os homens dizem a verdade? – Certamente, não é porque Deus proibiu a mentira. Mas primeiramente é porque é mais cômodo, pois a mentira exige invenção, dissimulação e memória. (Por isso Swift diz “Aquele que conta uma mentira raramente percebe o pesado fardo que toma sobre si; deve, com efeito, para manter uma mentira, inventar outras vinte.”). Em seguida, é porque em circunstâncias simples é vantajoso falar francamente. Quero isso, fiz aquilo e assim por diante; portanto, porque a via de obrigação e da autoridade é mais segura que a da astúcia. Mas por pouco que uma criança tenha sido educada em circunstâncias domésticas complicadas, serve-se de maneira tão natural da mentira que diz involuntariamente sempre o que responde ao seu interesse; um sentido da verdade, uma repugnância à mentira em si, lhe soa completamente estranhos e inacessíveis e, portanto, ela mente com toda a inocência.

Esqueça a parte da criança e pense nisso.

Outra questão – essa, creio, fundamental – é saber o que se pode prometer. Sem mais delongas, eis o tabefe:

58.

O que se pode prometer. – Pode-se prometer ações, mas não sentimentos,pois estes são involuntários. Quem promete a alguém amá-lo sempre ou odiá-lo sempre ou ser-lhe sempre fiel, promete algo que não está em seu poder; o que pode perfeitamente prometer são ações que, na verdade, são geralmente as conseqüências do amor, do ódio, da felicidade, mas que também podem provir de outros motivos, pois a uma só ação conduzem diversos caminhos e motivos.
A promessa de amar alguém sempre significa, portanto: enquanto eu te amar, te mostrarei as ações do amor, se não te amar mais, continuarás, no entanto, a receber de mim as mesmas ações, mas embora por outros motivos; de modo que na cabeça dos outros persiste a aparência de que o amor estaria inalterado e sempre o mesmo.
Promete-se, portanto, a persistência da aparência do amor quando, sem deslumbrar-se a si mesmo, se juro a alguém amor eterno.

Grifei porque é recado forte, direto.

Categoria: FilosofiaApril 24, 2008 3:14 pm

Cada um que pegue o tapa para si:

149.

A lenta flecha da beleza. - A mais nobre espécie de beleza é aquela que não arrebata de vez, que não se vale de assaltos tempestuosos e embriagantes (uma beleza assim desperta facilmente o nojo), mas que lentamente se infiltra, que levamos conosco quase sem perceber e deparamos novamente num sonho, e que afinal, após ter longamente ocupado um lugar modesto em nosso coração, se apodera completamente de nós, enchendo-nos os olhos de lágrimas e o coração de ânsias. - O que ansiamos ao ver a beleza? Ser belos: imaginamos que haveria muita felicidade ligada a isso. - Mas isto é um erro.

Que coisa, não?

192.

O melhor autor. - O melhor autor será aquele que tem vergonha de se tornar escritor.

193.

Lei draconiana para os escritores. - Deveríamos considerar o escritor como um malfeitor que apenas em raríssimos casos merece a absolvição ou a graça: isto seria um remédio contra a proliferação dos livros.

Você é esperto, rapaz. Mesmo sem saber. Tens, agora, até desculpas filosóficas.

Tudo extraído de H., D. H., do Bigode. (a tradução do link é a melhor)

Categoria: Filosofia 1:47 pm

Sacam aqueles caras que, com a bíblia nas mãos (sem sacrilégio; na moral mesmo) têm respostas pra tudo? Com cinco livros de Nietzsche ao meu alcance também tenho pra quase tudo. E é por isso – e ainda por falta de assunto, criatividade e total encheção de lingüiça – que criarei o “Filósofo responde”.

Com isso serei engraçadinho, quase um plagiador sem escrúpulos e, de quebra, relembrarei uns aforismozinhos aqui e acolá. Bigode, de certo, será nosso mentor intelectual, não porque é “o mais sagaz”, mas porque tô com preguiça de procurar os Kant e os Spinoza da vida. E por outra: sei lá qual a razão, mas Nietzsche escreveu sobre tudo e pode estar errado em diversas interpretações, mas tem um ponto a favor – escreveu aquela cacetada de páginas à mão.

Começo em breve.

Dúvidas, meu nome agora é resposta!

Talvez com isso também decida finalmente entre usar travessão ou parênteses. Eu sei a diferença, não precisa crucificar, mas um tem mais charme que o outro.

Categoria: LiteraturaApril 21, 2008 6:00 pm

Escureceu cedo hoje”, disse-me arrastando uma das partes da cortina para esquerda. Foi muito mais uma quebra de silêncio - silêncio constrangedor que paira sempre nas salas quando a intimidade com o outro é mínima, se é que existe ou existiu algum dia.

É!”, respondi-lhe sem muita confiança.

Iniciar uma conversa sobre a escuridão precoce do dia não seria muito agradável. Talvez para ele; não para mim que tentava colocar os fones de ouvido em evidência para que fossem notados pelo meu…, vejamos, interpelador inconveniente.

Eu nada sei sobre o tempo, sobre as voltas mais ou menos aceleradas da terra na sua rotação; nada sei sobre os fusos, sobre a lua ou, ainda, se as marés do oceano as influenciam. Só lembro do Meridiano de Greenwich porque o nome não é lá muito comum (mentira! é tão comum que me lembrei imediatamente), mas não tenho convicção alguma se é essa mesmo a grafia. Não teríamos um bom dedo de prosa. Que importa?

Que importa também usar de um pobre sujeito carente de diálogo numa sala de espera para produzir um texto sobre um tema indefinido?

Mas eu seria até capaz de apostar que se aquele sujeito soubesse que, diante da pergunta quebradora de um “silêncio de elevador”, eu matutava tanta coisa ao mesmo tempo, ele não a faria. Se ele soubesse o cansaço mental que me provocou, teria pena. Porque, caros, naquele momento, eu tentava, sem sucesso, ouvir uma música que explodia em meus ouvidos; e quando achava que o “You believe in your heart?” soava cada vez mais claro (era isso que cantavam!) vinha, ao mesmo tempo, a idéia de que “You believe in your heart?” não faz o menor sentido. (Era “You believe it in your head?”). Essa pequena questão existencial me tomou quatro minutos de vida. A pergunta que eu respondi com um singelo “É!”, mais quatro. Porque, mesmo sem querer divagar com o sujeito, fiquei curioso em saber o porquê de o dia estar escurecendo às cinco da tarde, já que o sol se fez presente e torturante durante quase toda a extensão da tarde.

Surpreendentes coisas, entretanto, acontecem. Eis que me interpelador, numa ânsia repentina (talvez o silêncio o incomodasse mais do que a qualquer outro) retirou de trás da cortina azulada um capa dura esverdeado, abriu – “página 32, canção 1”, disse – e recitou bonitas palavras que eu, por descuido, não consegui memorizar por completo. O que deu, segue:

[…] Não te afastes, meu diamante
Tolera meus encantos
Deixe que te fenda a carne
Até de todo apartá-la.

Procurou, presumo, um motivo novo para iniciar um diálogo menos monótono e foi muito competente. Ao invés agora de tentarmos falar sobre a questão da escuridão nada tardia, iniciaríamos a discussão sobre uma ontologia poética que muito poderia render. De certa forma me empolguei, guardei os fones e posicionei-me de modo menos confortável no sofá, de modo que, agora, pudesse ser notada minha atenção ao discurso.

Não há no mundo quem discorde que são eles [os poetas] os verdadeiros conhecedores das almas e angústias humanas”. “São eles”, dizia-me o homem em pé, “que destroem e constroem caminhos e interpretam tão bem sentimentos que parecem impenetráveis”. Eu - não sei - tenho algumas dúvidas quanto a isso. Não perdi, mas perderei uns trinta minutos bem vividos por causa dessa afirmação. Poderia, sem falsa modéstia, conversar sobre o que disse o interpelador. Diria mais: diria que a afirmação proferida é, na verdade, uma adaptação de algum outro poeta.

Ah, mas deixa ele acreditar ser autor, como eu. À consulta.

Categoria: CotidianoApril 17, 2008 11:44 am

Minha sugestão para leitores deste blog (e de todos os outros hospedados pelo WordPress) é que leiam enquanto a censura é branda. Logo estaremos todos fora do ar.

WordPress tentará evitar bloqueio no Brasil, diz co-fundador do site

Via G1.

Categoria: LiteraturaApril 15, 2008 11:11 am

“Há uma tendência a perceber o mundo como basicamente um enorme recipiente dos potenciais objetos de consumo e de moldar todas as relações humanas conforme o padrão de consumo. Assim, o outro (parceiro, amigo, vizinho, parente) é ‘bom’ desde que traga satisfação e pode (ou deve) ser descartado quando a satisfação acabe ou se mostre não tão boa quanto se esperava ou quanto a que outra pessoa talvez pudesse fornecer em seu lugar. Outros seres humanos se tornam descartáveis e facilmente substituíveis - como os bens de consumo são ou deveriam ser. Afinal, não fazemos juramento de eterna fidelidade a celulares, televisores, computadores, carros, geladeiras e outros bens de consumo. Quando eles param de funcionar ou são superados por ofertas novas e mais atraentes, nos separamos deles com pouca tristeza e sem escrúpulos… Na verdade, tendemos a comemorar a substituição! Mas esse ‘padrão consumista’ é contrário aos princípios que conduzem nossos relacionamentos amorosos. Ele envenena a parceria com desconfiança mútua e a enche de constante incerteza quanto às intenções do parceiro. Amplia qualquer desavença mínima a uma proporção gigantesca, dando motivos suficientes para terminar e recomeçar em outro lugar. Assim como devolvemos uma mercadoria imperfeita à loja, exigindo nosso dinheiro de volta… Sob a pressão do consumismo, as relações amorosas se transformam em episódios amorosos: tornam-se frágeis, quebradiças, não-confiáveis - antes uma fonte de medo, ao invés de alegria.”

Zygmunt Bauman

Categoria: CotidianoApril 12, 2008 2:32 pm

“A diferença entre o neurótico e o psicótico é que o psicótico acha que 2 mais 2 são cinco; o neurótico sabe que são 4, mas não aceita nem se conforma com isso”

Eu me assustei quando tomei conhecimento do que é (guardando, claro, minhas limitações no entendimento desse campo) Neurose. O termo é conhecido e usado indevidamente como tanto outros. Perdeu, de certa forma, seu valor e sentido real. Deixou de ser uma coisa para ser outra, banalizada. Talvez por isso, ser chamado de neurótico à primeira vista não tenha significado nada pra mim, coisa que entra por um ouvido e sai por outro sem causar a menor diferença no Eu.

Somente com uma ampliação de conceitos e uma resumida explicação sobre o tema é que fui capaz de, disfarçadamente, virar à esquerda na biblioteca e buscar por livros de psicologia. Queria ver o que diziam sobre neuroses, como os estudiosos compreendiam suas causas, seus efeitos etc. Estava preparado para abrir qualquer uma daqueles livros já velhos e me deparar com algo parecido como “se você veio até aqui procurando explicação sobre neuroses, pode ter certeza que você é um!”. Obviamente a afirmação pouco acadêmica não veio, mas, com alguns poucos minutos de leitura, percebi traços de enormes semelhança com minha personalidade.

Num outro texto que já não me recordo o autor, surgiu o seguinte:

“Concernente às características funcionais da personalidade neurótica, destacam-se as seguintes: a) rigidez extrema; b) ausência de perspectiva temporal futura, com predomínio do passado como referência nas atuais manifestações atuais do indivíduo; c) incapacidade de reconceituar ou reavaliar as situações que lhe geram estados emocionais; d) nível muito baixo de autodeterminação e auto-regulação sobre o comportamento”.

Mais adiante dizia que

“Os conteúdos da personalidade neurótica caracterizam-se:
a) por apresentar relativa autonomia quanto às formas essenciais de expressão do indivíduo. Assim, por exemplo, a pessoa manifesta determinadas necessidades de modo totalmente irracional, fora de atividades que, por sua natureza, impliquem essa expressão. Nesse sentido a pessoa deseja afeto de maneira insaciável, independentemente da situação em que se encontra…”

Dizem que o bom leitor deve saber a hora de abandonar um livro, seja no começo ou a dois páginas da conclusão. Foi o que fiz. Não por ser um esplêndido leitor, mas, talvez por neurose, não querer mais compreender o que se passa de forma tão clara e brusca.

De certo modo, sempre fui um insatisfeito. Achava que era rigidez com tudo, mania de perfeição, algo bom que acontecia comigo e sempre me influenciava na busca do melhor. Agora acho que estava enganado. Tenho perdido algumas horas de sono analisando coisas que são complexas e de que não me convenço mesmo não tendo motivos para isso.

Categoria: Cotidiano, LiteraturaApril 9, 2008 1:01 pm

Victor apareceu com mais um projeto literário. Digo mais um porque talvez só eu lembre de um outro que colocava na argamassa da literatura arquivos digitais de áudio. Pequenos contos narrados, não era isso? Eu seria o sonoplasta coadjuvante de bom grado. Nunca saiu do papel (ou melhor: nunca ultrapassou a tag < body > no HTML).

A manha da vez chama-se –ismos; e classifico isso como? Como eu quiser? Revista, e-zine,…? Egolatria!! De qualquer forma já existe um primeiro número (índice aqui) com bons textos escritos.

Tadinho, o Victor é um incompreendido. Tira fotos que ninguém entende, capota romanticamente de carro numa tempestade e, uma vez, falou mal de todos os textos dos amigos dele. Disse que eram “mapas do inferno” e o que o corretor ortográfico do Word salvava todos do ridículo. Era fato e continua sendo.

Victor é dono de um post muito cômico sobre uma vacina que tomou certa vez. Acho que foi o texto que mais me fez rir na frente de um monitor. Talvez por eu visualizar um marmanjo daquele, enorme, desmaiando ao ver uma agulha.

Victor é feio, mas sai bem nas fotos (a constatação não é minha). E é um reacionariozinho maldito. Na minha ânsia de ir ou não estudar em Cuba, só me falava dos “cadillacs legais” que eu poderia ver por lá. Não me ajudou em nada, esse filho da mãe.

Mas o mundo é cruel. Um friburguense publicou antes do Victor. E publicou um livro mais ou menos grande, bem acabado que tem até um responsável gráfico pela capa, eu presumo. Victor está a dois passos da sacada suicida de seu apartamento em Botafogo; periga cair no parapeito (ou sei lá como chamam aquilo) que a esposa do Rubem Fonseca instalou no apartamento de baixo, justamente para evitar soluções definitivas para essas crises que acometem os escritores.

Victor, meu amigo, agora tem um café francês em Friburgo. Sempre vazio, mas aquelas mesinhas me lembram o Breuer ou Sartre de frente para a Simone de Beauvoir conversando sobre os rumos do Partido Comunista Francês. Bora sentar lá e chorar?

Categoria: CotidianoApril 6, 2008 2:48 pm

Ótimo clima para extravasar angústias.

Muito leviano dizer que são angústias. Consternação, dor, desgosto, agonia ou ainda amargura seriam melhores sinônimos. Esse leque de opções tornam certos lamentos menos repetitivos. Menos pior para o receptor, ou leitor, sei lá. Ao criador, por sua vez, apesar de parecer constantemente idiota, falastrão de primeira ordem, serve como escape. Serve com boa opção de desabafo coletivo e tira da cabeça qualquer conversa que cansa…

Que chova o domingo todo…